Cimento sobe, aço oscila 25% em meses — o melhor momento pra reformar não é o que você imagina

Cimento sobe, aço oscila 25% em meses — o melhor momento pra reformar não é o que você imagina

Enquanto o cimento acumula alta de mais de 15% no ano, o aço vive um sobe-desce de até 25% em poucos meses, puxado pelo mercado internacional. Quem espera "o preço baixar" pra começar a reforma pode estar esperando o momento errado.

CasaCidade ·

Todo orçamento de reforma tem aquele momento em que o cliente pede pra "esperar os preços baixarem" antes de fechar contrato. Em 2026, essa espera é uma aposta arriscada: o cimento CP-32 II acumula alta de cerca de 15,66% no ano, enquanto o aço CA-50 — que também subiu no acumulado — oscila de forma muito mais violenta, com variações de 15% a 25% em poucos meses, ao sabor do mercado internacional de minério.

Ou seja: não existe "o preço vai cair, é só esperar". Existe cimento subindo devagar e sempre, e aço fazendo montanha-russa. Entender essa diferença muda a estratégia de quem vai reformar ou construir este ano.

Por que cimento e aço se comportam de formas tão diferentes

O cimento é produzido no Brasil, com custo atrelado principalmente à energia das fábricas e à logística de transporte — por isso sobe de forma mais previsível e constante, sem grandes saltos. Já o aço usado na construção (vergalhão, tela soldada) depende do preço internacional do minério de ferro e da siderurgia, que reage a fatores fora do país: demanda da China, custo de frete, câmbio. É por isso que o aço pode cair 10% num trimestre e subir 20% no seguinte, enquanto o cimento segue sua trajetória de alta gradual.

Preços de referência (2026):

Cimento CP II (saco 50kg): R$ 38 a R$ 54 no varejo — com desconto de 8% a 15% na compra em pallet.
Cimento CP V (alta resistência): R$ 42 a R$ 60 — usado em estruturas que precisam de cura rápida.
Aço CA-50 Ø10mm: em torno de R$ 8,62/kg, com variação mensal que pode passar de 5% pra cima ou pra baixo.
Custo de reforma por m²: R$ 800 a R$ 5.500, variando conforme padrão de acabamento e região.
CUB (R-1N) de referência: de R$ 2.609,74/m² em SP a R$ 3.366,02/m² em SC — parâmetro oficial publicado mensalmente pelo Sinduscon de cada estado.

O erro de comprar tudo de uma vez — e o erro oposto

Tem quem compre todo o material da obra no primeiro mês, achando que assim escapa da alta. Funciona bem para cimento, que sobe devagar e não tem grande risco de cair — mas é ruim para aço, porque se ele estiver num pico momentâneo, você compra caro justamente na hora errada. A saída mais sensata, usada por construtoras médias, é comprar cimento com antecedência moderada (o suficiente pra cobrir 2-3 meses de obra) e negociar o aço em lotes, acompanhando a cotação semanal antes de fechar cada compra grande.

Reoneração e salário mínimo também entram na conta

Além da matéria-prima, o custo da mão de obra sobe junto: a reoneração da folha de pagamento das empresas do setor voltou a 10% em janeiro de 2026, com perspectiva de chegar a 20% até 2028, e o salário mínimo teve reajuste de 6,79% no ano. Isso significa que, mesmo se o material ficar estável, o valor da mão de obra — que já é o maior vilão do orçamento de reforma — segue subindo por fora.

Então, vale esperar ou começar agora?

Esperar cimento cair é esperar algo que historicamente não acontece — ele sobe devagar, mas sobe. Já esperar o aço "baixar" pode fazer sentido se a obra tiver flexibilidade de cronograma e o comprador acompanhar a cotação de perto. Pra quem vai reformar com prazo definido (aluguel vencendo, bebê a caminho, contrato de aluguel do imóvel provisório correndo), a lógica muda: cada mês de adiamento custa mão de obra mais cara e não garante economia nenhuma em material.

O que pedir no orçamento antes de fechar

Peça ao construtor ou pedreiro para discriminar separadamente material e mão de obra, com a cotação de aço e cimento datada — orçamento "fechado" sem data de referência é prato cheio para reajuste no meio da obra. E pergunte se o valor cobre reposição em caso de alta do aço acima de determinado percentual: contrato sem essa cláusula deixa você no escuro se o preço disparar na semana da concretagem.

A obra não espera o mercado ficar generoso. Quem entende a diferença entre cimento e aço decide quando comprar cada um — em vez de torcer pro preço parar de subir.

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