A revoada de cupim começa em 22 de setembro — e quando você vê o inseto, o batente já era

A revoada de cupim começa em 22 de setembro — e quando você vê o inseto, o batente já era

Com a primavera vem a nuvem de cupins alados em volta da lâmpada da varanda. Aquilo não é a infestação: é a fundação da próxima. E a diferença entre agir agora e agir em dezembro pode ser de R$ 400 para R$ 4.000.

CasaCidade ·

Vai acontecer numa noite abafada de fim de setembro, provavelmente depois da primeira chuva boa. Você acende a luz da área externa e em vinte minutos há uma nuvem delas ali — pequenas, de asa comprida, batendo na lâmpada com aquela desorientação de inseto que voa mal. No dia seguinte, o chão está coberto de asas soltas e ninguém sabe direito o que aconteceu.

Aconteceu o seguinte: a colônia que já está no seu terreno — ou no do vizinho — soltou os reprodutores. É a revoada, e ela marca o começo da temporada de cupim no Brasil.

O que a revoada significa (e o que ela não significa)

A revoada começa junto com a primavera, 22 de setembro, e se estende até o fim do verão. Nesse período os cupins alados — os reprodutores, chamados de aleluias em boa parte do país — saem em massa, encontram parceiro, perdem as asas e procuram uma fresta úmida para fundar uma colônia nova.

Aqui está a inversão que quase todo mundo faz. As asas no chão da sua sala não provam que a sua casa está infestada — provam que existe colônia madura por perto e que agora há dezenas de casais procurando fundação. Se encontrarem madeira em contato com solo, batente sem tratamento, forro de PVC com estrutura de madeira ou aquele rodapé antigo, começa uma colônia nova que só vai dar sinal de vida daqui a um ou dois anos — quando o estrago já for estrutural.

Ou seja: a revoada não é o problema. É o aviso, e é a única vez que o cupim aparece de graça na sua frente.

Os três tipos e por que isso muda o preço

Cupim de madeira seca: vive dentro da própria peça, sem contato com o solo. É o que ataca móvel, batente e rodapé, e denuncia a presença com aquele pó fino cor de areia — os grânulos fecais — embaixo do móvel. Tratamento por injeção peça a peça, mais barato.

Cupim subterrâneo: mora no solo e sobe pela estrutura, construindo túneis de terra pela alvenaria — os canudinhos escuros na parede que a gente confunde com sujeira. É o mais destrutivo e o mais caro, porque exige barreira química no solo, com perfuração do piso em pontos calculados.

Cupim arbóreo: faz aquele ninho grande e escuro em tronco de árvore ou muro. Mata árvore e serve de base para atacar a construção ao lado.

A confusão entre o subterrâneo e o de madeira seca é a maior fonte de orçamento errado do setor. Empresa que dá preço por telefone, sem ir na casa e sem dizer a espécie, está chutando — e o chute costuma ser para cima.

Quanto custa descupinizar em 2026:

Foco localizado (um móvel, um batente, uma viga): R$ 450 a R$ 1.950, conforme extensão e espécie
Apartamento ou casa de 1 a 2 quartos: R$ 1.000 a R$ 1.900
Casa de 4 quartos: R$ 3.900 a R$ 4.800
Barreira química no solo (subterrâneo): R$ 180 a R$ 220 por metro linear em São Paulo, variando com tipo de solo e produto
Garantia esperada: 3 a 5 anos sobre a madeira tratada, com reaplicação sem custo em caso de reinfestação
Exija sempre: identificação da espécie por escrito, mapa dos pontos de aplicação, produto registrado na Anvisa, licença sanitária e certificado com CNPJ

Garantia é o item mais caro do orçamento — e o mais barato de conferir

Descupinização sem garantia escrita é aposta. O tratamento correto pode levar meses para eliminar a colônia inteira, porque depende de o produto circular pela população via contato entre indivíduos. Se em oito meses aparecerem túneis novos, a única coisa que separa você de pagar tudo de novo é um papel.

Boa empresa oferece de 3 a 5 anos e coloca no contrato o que exatamente está coberto: a madeira tratada, os pontos mapeados, o prazo, e as condições de reaplicação. Empresa ruim fala em garantia no WhatsApp e emite recibo simples. Pergunte também quem executa — subcontratação sem aviso é comum, e a garantia costuma morrer junto com o contrato do terceirizado.

A vistoria de setembro: seis pontos, uma manhã

Antes de contratar qualquer coisa, faça você mesmo com uma lanterna e uma chave de fenda:

Bata na madeira. Batente, rodapé, viga aparente, portal. Som oco onde deveria ser maciço é galeria por dentro. Fure de leve com a chave — se afundar, achou.

Procure o pó. Grânulos finos, cor de café com leite, acumulando embaixo de móvel ou no canto do rodapé. É o descarte do cupim de madeira seca, e ele reaparece um dia depois de você limpar.

Procure os canudos. Túneis de terra subindo por parede, viga ou fundação. Quebre um pedaço: se refizerem em 48 horas, a colônia está ativa.

Cheque contato madeira-solo. Mourão de cerca, batente que encosta no contrapiso, deck no chão, pilha de madeira encostada no muro. É a porta de entrada preferida do subterrâneo.

Olhe as árvores e o muro. Ninho escuro em tronco significa colônia ativa a metros da sua estrutura.

Guarde uma asa. Parece bobagem, mas se você guardar alguns alados da revoada num pote, o técnico identifica a espécie na hora — e você para de pagar por chute.

Por que agir agora custa menos

Duas razões práticas. A primeira é de agenda: setembro ainda é mês de dedetizadora com horário vago. De novembro em diante, com revoada acontecendo em toda a cidade, o telefone toca sem parar e o orçamento sobe junto com a demanda.

A segunda é de escopo. Um foco tratado no início custa centenas de reais. O mesmo foco descoberto dois anos depois, com viga comprometida, vira serviço de descupinização mais marcenaria de reposição mais, às vezes, reforço estrutural — e aí o orçamento pula uma casa decimal.

O recado que fica

Cupim não é praga de casa suja. É praga de casa com madeira, e isso inclui a sua.

A revoada de setembro é a única vez no ano em que ele se apresenta. Quem trata a nuvem de alados como inconveniente de varanda paga a conta em 2028 — com juros de marcenaria.

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