Aquecedor de R$ 106 que custa R$ 430 por mês — a conta do inverno que pega todo mundo de surpresa
O aparelho é barato na prateleira. O susto vem na fatura de energia — e depende menos do preço do aquecedor e mais de quantas horas ele fica ligado.
Chega o frio no Sul e no Sudeste, você passa no mercado, vê um aquecedor por R 106 e pensa: "barato, leva". Um mês depois chega a conta de luz e o aquecedor de R 106 já custou três vezes o próprio preço só de energia. O preço de prateleira do aquecedor é a menor parte da história. A cara mesmo é a tomada.
E o timing de 2026 não ajuda: a tarifa de energia subiu em julho, então cada hora de aquecedor ligado pesa um pouco mais que no inverno passado. Vale entender a conta antes de plugar o aparelho — porque depois de ligado, ele não avisa quanto está gastando.
A conta que ninguém faz antes de comprar
O cálculo do consumo é simples e depende de duas coisas só: a potência do aparelho, em watts, e quantas horas por dia ele fica ligado. A maioria dos aquecedores domésticos é de 1.500W — e é aí que o custo se esconde, porque 1.500W ligados por horas viram muito kWh.
Os números reais assustam: um aquecedor de 1.500W usado 3 horas por dia gera cerca de R 162 por mês. O mesmo aparelho ligado 8 horas por dia, durante 30 dias, acrescenta de R 300 a R 432 na conta. Ou seja: o aparelho que você comprou por pouco mais de R 100 pode custar mais de R 400 mensais de energia se ficar ligado a noite inteira. Não é o aquecedor que é caro — é o hábito.
• Aquecedor 1.500W, 3h/dia: cerca de R 162/mês
• Aquecedor 1.500W, 8h/dia: de R 300 a R 432/mês
• Preço de aparelhos populares: Ventisol AQ02I a partir de R 106; Britânia AB1100N a partir de R 127
• Aquecedor a gás (família de 4, banho diário): cerca de R 52/mês de gás
• Lembre: a tarifa de energia subiu em julho — cada hora ligada pesa mais que em 2025
Elétrico, a óleo, cerâmico, a gás — qual gasta menos
Existem aquecedores elétricos, cerâmicos, a óleo, halógenos e a gás, e cada um tem seu jeito de gastar. Pra manter um ambiente aquecido por várias horas, os modelos a óleo tendem a ser mais eficientes: a maioria tem termostato que desliga sozinho quando atinge a temperatura programada, economizando energia quando você nem percebe. O halógeno esquenta rápido e localizado, mas é o tipo que mais consome se ficar ligado direto.
O termostato é o detalhe que mais economiza e que mais gente ignora na hora de comprar. Aquecedor sem desligamento automático é o que mais surpreende na fatura, porque fica esquentando um quarto já quente a madrugada inteira. Pague um pouco mais por um modelo com termostato — ele se paga em uma temporada.
A alternativa a gás que muita gente esquece
Pra quem já tem instalação de gás em casa, vale colocar o aquecimento a gás na conta. O consumo é medido em metros cúbicos, e numa casa de quatro pessoas com banho diário, considerando cerca de 0,60 m³ mensais, a conta de gás fica em torno de R 52 por mês. Comparado aos R 300 e poucos de um aquecedor elétrico ligado muitas horas, a diferença é real — desde que a instalação de gás já exista e esteja em dia.
Mexer em instalação de gás pra economizar não é serviço de fim de semana: rede de gás é trabalho de profissional com registro, e gambiarra de gás não dá segunda chance.
Como usar sem levar susto na fatura
A regra prática é aquecer pessoa e não cômodo. Ligar o aquecedor só no ambiente que você está usando, fechar a porta, e desligar ao deitar (ou usar o termostato pra desligar sozinho) corta boa parte do gasto. Aquecedor não é ar-condicionado: não precisa rodar a noite toda pra valer a pena.
O aquecedor de R 106 não mente sobre o preço. Ele só não conta a parte que aparece um mês depois, na tomada. Faça a conta das horas antes de comprar — é ela que decide se o inverno vai sair barato ou caro.