Conta de luz sobe 1,1% em julho — e o ar-condicionado no inverno é o culpado que você não estava esperando

Conta de luz sobe 1,1% em julho — e o ar-condicionado no inverno é o culpado que você não estava esperando

A ANEEL homologou aumento na tarifa de transmissão para o ciclo 2026/2027. O impacto direto é pequeno. O contexto para quem usa split no inverno, não.

CasaCidade ·

A partir de 1º de julho de 2026, a tarifa de transmissão de energia elétrica no Brasil aumenta. O efeito médio para o consumidor residencial é de 1,1% — o que, na conta de R 300 por mês, significa pouco mais de R 3,30 extras. Por si só, não parece grande coisa.

O problema é que julho é também quando o inverno chega de verdade no Centro-Sul do Brasil, o gás de botijão está caro, e muita família que jurava "nunca vou usar ar-condicionado para aquecer" está ligando o split no modo quente. E aí a conta muda de patamar.

O que é essa tarifa de transmissão e por que ela sobe

A tarifa de transmissão (TUST) remunera as empresas que operam as linhas de alta tensão que transportam energia das usinas até as distribuidoras — aquelas torres enormes que você vê no campo. A ANEEL homologou R 54,95 bilhões em receitas para o ciclo 2026/2027, alta de 9,41% em relação ao período anterior.

Esse aumento existe porque o Brasil expandiu a rede de transmissão para acomodar as novas usinas solares e eólicas que entram em operação todo ano. O custo da expansão da rede é rateado entre os consumidores. Para o usuário residencial, o impacto é diluído e chega como esse 1,1% na conta de julho.

Não é o maior impacto de conta de luz dos últimos anos — está longe disso. Mas é o empurrão que lembra que energia elétrica nunca fica mais barata, só pode ficar mais cara.

Ar-condicionado no inverno: o consumo que surpreende

Split no modo quente é mais eficiente que chuveiro elétrico por metro quadrado aquecido? Sim. É mais eficiente que resistência elétrica direta? Com certeza. Mas "mais eficiente" não significa "não aparece na conta".

Um split de 9.000 BTUs em modo aquecimento consome entre 700W e 1.000W por hora. Ligado 6 horas por dia, são 4,2 a 6 kWh diários — mais que o consumo de uma geladeira inteira. Em 30 dias de inverno, esse aparelho sozinho adiciona 126 a 180 kWh na conta. Dependendo da tarifa da sua distribuidora, isso representa R 90 a R 160 extras por mês.

E quanto mais frio, mais o compressor trabalha para manter a temperatura. Se você comprou um modelo sem tecnologia inverter, o consumo pode ser ainda maior porque o compressor liga e desliga em ciclos em vez de modular a potência.

Inverter vs. convencional — a diferença aparece no inverno

Ar-condicionado com tecnologia inverter ajusta a velocidade do compressor conforme a necessidade. Quando o ambiente já está na temperatura certa, ele reduz a potência — não desliga e liga como um modelo convencional. No verão, a diferença de consumo entre inverter e convencional fica entre 30% e 50%. No inverno, quando o aparelho trabalha mais para aquecer, essa diferença pode ser ainda maior.

Se o seu split tem mais de 7 anos e é convencional, o inverno é o momento mais claro para fazer a conta: quanto você vai pagar a mais por mês mantendo o aparelho antigo versus o quanto custaria trocar por um inverter? Em muitos casos, o payback da troca aparece em um a dois invernos.

O que fazer agora para não se surpreender em agosto

Primeiro: limpe o filtro do split antes de ligar no modo quente. Filtro sujo aumenta o consumo em até 15% porque o aparelho força mais para mover o ar. É a manutenção mais barata e mais ignorada do mercado — você faz em 10 minutos com água corrente.

Segundo: feche portas e janelas do ambiente que você quer aquecer. Split aquecendo sala inteira com janela aberta é como chuveiro quente com porta do banheiro aberta — você gasta o dobro pra sentir metade.

Terceiro: evite temperaturas muito altas no modo quente. 23°C é conforto. 28°C é consumo desnecessário — o ar fica artificialmente quente e você vai querer tirar a roupa em dois minutos.

Ar-condicionado no inverno — números que ajudam a decidir:

Consumo médio split 9000 BTUs em aquecimento: 700W a 1.000W/hora
Custo estimado (6h/dia por 30 dias): R 90 a R 160/mês extras na conta
Economia com inverter vs. convencional: 30% a 50% no consumo
Manutenção de filtro: gratuita, feita em casa — reduz consumo em até 15%
Higienização profissional: R 120 a R 250 — necessária a cada 12 meses

Higienização: o que você está respirando sem saber

No verão, você usa o split no frio e esquece. No inverno, quando ele liga no modo quente, expele tudo que acumulou dentro — fungo, bactéria, poeira e o mofo que cresceu na bandeja de condensação. Ar quente com cheiro de mofo não é aquecimento: é problema de saúde em circulação forçada.

Higienização profissional de ar-condicionado custa entre R 120 e R 250 dependendo do BTU e da empresa. Inclui limpeza da serpentina, da bandeja, dos filtros e do duto de drenagem. Se o aparelho nunca foi higienizado ou faz mais de 12 meses, faça antes de ligar no inverno — a tarifa subiu 1,1%, mas respirar bem não tem preço.

Conta de luz sobe todo ano. Consumo consciente e manutenção em dia são as únicas formas de não deixar essa conta subir junto.

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